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Conte˙do de   Anonymus Gourmet :: 

Lembranša de um Restaurante Espetacular

por Anonymus Gourmet

17/01/2018 15:01     24/01/2018 15:43

Dias atrás uma colega jornalista de Pelotas me disse que o restaurante Chu
ainda existe e continua com o mesmo brilho. Fiquei feliz porque lembrei o dia em
que, anos atrás, meu amigo Fernando Estima me enganou. Disse que íamos a um
“restaurante legal”. Entretanto, o restaurante Chu, em Pelotas, é bem mais do que
“legal”. Trata-se de um templo da excelência. É um lugar espetacular. Anotei cada
uma das minhas impressões.
Depois de cruzar a porta de entrada, a primeira surpresa era a luminária Welcome
Guest, de Kare Design (foto), uma refinada e bem humorada recepção. Depois,
as inesperadas demonstrações de competência e sofisticação se sucederam em
ambientes deslumbrantes. No fim da noite, é claro, veio a pergunta inevitável, que a
gente faz força para calar: como que um restaurante tão extraordinário pode se manter
em Pelotas? Será que daria certo em uma das cidades da Grande Porto Alegre?
Naquela noite, olhei em volta, a maioria das mesas estava ocupada, e era apenas
quinta-feira! Fernando, com aquela modéstia discreta de cavalheiro florentino, falou
na posição estratégica de Pelotas no rumo de Punta, o bom momento da cidade, a
proximidade com Rio Grande que dá um salto com o superporto, etc., etc.
Tudo isso pode ajudar, mas o segredo do Chu, descubro logo: é a competência
do Fernando e da Claudia Manta, que cuidaram de cada detalhe, preocuparam-se
com as mínimas minúcias, do jardim ao ar livre com lareira (onde me comovi com
a gentileza de cobertores de cashmere) à cozinha envidraçada (onde brilhava um
pequeno exército), da horta própria ao serviço esmerado, da adega competente ao
cardápio brilhante. Não por acaso o lugar figura há muitos anos numa lista inglesa
dos restaurantes mais charmosos do mundo.
Mas todos esses detalhes seriam fugazes se, na hora do vamos ver, viessem
pratos que não fossem além do razoável. Como ilustração do cenário cativante, veio à
mesa um risoto de cogumelos com o sabor, o estilo e o acabamento impecável de uma
iguaria toscana. Já seria o suficiente
para uma saudade irremediável,
mas a chef (que trocou as manhãs
cálidas da literatura pelas noites de
combate na linha de frente de um
fogão flamejante) decidiu abusar,
exibindo-se com um filé alto, tenro,
originário de um rebanho de raças
inglesas, grelhado num fogo de
lenhas escolhidas... Enfrentei-o com
apetite e determinação, encorajado
por um surpreendente e irretocável
pinot noir de boa data. E como se
não bastasse, para completar, a
chef desafiou os astros com um
suflê de goiabada. Uma daquelas
sobremesas, acompanhada por um
Rémy Martin XO, ou algo dessa
estirpe, que, se eu morrer, como
dizia o Dr. Roberto Marinho, vou
lembrar antes do último suspiro.
O que mais que eu posso dizer?
Voltaremos!

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