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  • Marina Guedes

    Eu sou a Marina Vitório Guedes, cozinheira apaixonada pela profissão que, antes de tudo, aprecia a arte de comer bem! Estou à frente da cozinha da Gastromundi - Catering e Eventos e meu dia a dia é intenso. Elaboro os menus, faço pesquisas, planejamento, crio novas receitas, treino e lidero a equipe tanto na pré-preparação, como na execução dos eventos. Com esta coluna quero compartilhar com os leitores - sejam eles profissionais, curiosos ou apreciadores de uma boa comida - minhas experiências gastronômicas por dois olhares: do comensal e de quem está nos bastidores. Curiosidades da gastronomia brasileira e internacional, da confeitaria, informações, dicas e técnicas culinárias são os temas abordados.

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Comida, memória e afeto

27/05/2016 10:36     27/05/2016 10:36

Aposto que você algum dia já se viu arremessado ao passado saboreando algo que costumava comer com grande prazer: o arroz doce com canela da mãe, o pão de milho da vó ou aquela costela assada do pai no domingo. Lembranças queridas capazes de lhe transportar à infância. Isso é, simplesmente, sua memória afetiva que veio à tona.
Essas sensações, imortalizadas na nossa memória, têm um forte poder e nos trazem um conforto inexplicável. O lugar onde crescemos e as pessoas com quem convivemos constroem nossa identidade social e, por consequência, nosso comportamento alimentar.
A construção dos gostos e preferências de sabores são extremamente individuais. O que pode ser muito bom para mim, pode não ser para outra pessoa. O acúmulo das experiências que vivenciamos ao longo da vida é o que forma o nosso paladar. E ele é totalmente mutável. Eu mesma posso citar uma série de alimentos que tinha arrepios só de pensar em comer e que hoje sou fã. Por isso, permitir-se experimentar novos sabores são portas que se abrem para a formação do paladar.
Diversos pesquisadores vêm estudando a relação entre os sentidos, os alimentos, nossas memórias e sensações de prazer. A psicóloga Rachel Herz, da universidade de Brown (EUA), comprovou que apenas o olfato e o paladar são os sentidos considerados exclusivamente sentimentais, porque apenas estes dois são conectados com o hipocampo, a parte do cérebro que armazena as memórias de longo prazo.
É impossível dissociar cozinha de afeto. Com um mundo acelerado, onde os alimentos industrializados e ultraprocessados podem ser uma alternativa mais fácil, devemos nadar conscientemente contra a corrente e buscar alternativas mais saudáveis para nosso corpo e nossa mente. Nada melhor do que o “caseiro”, o “feito com amor”. O que destaca um bom cozinheiro é preservar a memória afetiva na cozinha, cultivar tradições e reinventar outras. E é desta forma que estaremos contribuindo para uma alimentação mais adequada e construindo memórias tão boas quanto aquelas que nos foram deixadas.

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